Ato de desiludir-se, enganar-se...
... enganei-me, potencializei emoções, reescrevi personalidades, vesti de príncipe o sapo que não se sabe sapo, alterei considerações, derrubei medos e fui além para encontrar o nada. Não podemos buscar o que não existe, amar a fantasia que criamos de acordo com nossos desejos...
... mas não posso odiar a desilusão, se é ela que alimenta a arte que há em mim...
... desiludir-se para iludir-se novamente e assim sempre... pois é de ilusões e encontros com a verdade que se faz a vida... a verdade, o verdadeiro um dia chegará... e o príncipe não deixará de ser príncipe jamais...
domingo, 6 de abril de 2008
sábado, 29 de dezembro de 2007
Palavras
Rezei e pedi para que a angustia passasse logo e que a sublimação chegasse forte.
A sublimação chegou mas a angustia continuou... como fazer?
lembrei das palavras... escrever...
A sublimação chegou mas a angustia continuou... como fazer?
lembrei das palavras... escrever...
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Papo de Praia
Ipanema, manhã de sexta...
... Posto? O de sempre....9
Saído das águas de Iemanjá, um morenaço, musculos visíveis e alinhados, sem aquela ostentação ridícula, tatuagens a mostra típicas do famoso "menino do Rio". Enfim, o paraíso no paraíso. Casadas, solteiras, amigadas, namoradas, todas concordaram comigo em uníssono:
- Homem para 500 viagens...
- Opa! Mas é o cara do BBB (sei lá quantos)
- Quem? - respondi aturdida.
- Do BBB, Big Brother Brasil
- Ah sim...o moreno que namorou a Winits, sei...
E o tal moreno arrasador foi invadindo as areias como se fosse um ser a parte. Algo de sobrenatural, vindo das águas e somente a elas pertencendo. Tive nervoso do Fernando. Olhei pra ele meio investigativa, meio desiludida. "Psicologizei" como diria Elisa Lucinda, a desilusão da beleza vinha com a vaidade extrema do Fernando.
O homem vaidoso, metrosexual, chega a um ponto em que não deseja ninguém, só a si mesmo. E Fernando ia pelas areias de Ipanema, sem prestar atenção no mar, ele não era como a garota de Ipanema, que mão sabia que, quando ela passava o mundo se enchia de graça. Ele tinha a certeza de que ele sim, era a graça da praia... e aí a beleza do Fernando ficou pequenina, pequenina, pra mim.
Ainda olhando para os olhares que lhe olhavam, o gostosão colocou a mochila num gesto teatral, espaçoso, calculado. O personagem que ele representava todo o tempo, agora ia deixar saudades no mar. Ia?
... Posto? O de sempre....9
Saído das águas de Iemanjá, um morenaço, musculos visíveis e alinhados, sem aquela ostentação ridícula, tatuagens a mostra típicas do famoso "menino do Rio". Enfim, o paraíso no paraíso. Casadas, solteiras, amigadas, namoradas, todas concordaram comigo em uníssono:
- Homem para 500 viagens...
- Opa! Mas é o cara do BBB (sei lá quantos)
- Quem? - respondi aturdida.
- Do BBB, Big Brother Brasil
- Ah sim...o moreno que namorou a Winits, sei...
E o tal moreno arrasador foi invadindo as areias como se fosse um ser a parte. Algo de sobrenatural, vindo das águas e somente a elas pertencendo. Tive nervoso do Fernando. Olhei pra ele meio investigativa, meio desiludida. "Psicologizei" como diria Elisa Lucinda, a desilusão da beleza vinha com a vaidade extrema do Fernando.
O homem vaidoso, metrosexual, chega a um ponto em que não deseja ninguém, só a si mesmo. E Fernando ia pelas areias de Ipanema, sem prestar atenção no mar, ele não era como a garota de Ipanema, que mão sabia que, quando ela passava o mundo se enchia de graça. Ele tinha a certeza de que ele sim, era a graça da praia... e aí a beleza do Fernando ficou pequenina, pequenina, pra mim.
Ainda olhando para os olhares que lhe olhavam, o gostosão colocou a mochila num gesto teatral, espaçoso, calculado. O personagem que ele representava todo o tempo, agora ia deixar saudades no mar. Ia?
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Homenagem ao meu autor preferido
Conheci Nelson Rodrigues, ou melhor dizendo, sua obra aos doze anos. Realmente uma idade pouca para seus escritos. Com doze anos, ainda mais na minha época e no meu atraso ingenuo, entender o universo Rodrigueano foi meio complicado. Entretanto, apesar da pouca idade, eu bebia suas palavras com uma sede inexplicável, eu alterava aos poucos minha forma de leitura do mundo e minha maneira de perceber a arte.
Nelson Rodrigues pra mim é um dos maiores artistas do cotidiano. Quando estou triste, melancolica, com um tédio efusivo, basta que eu lance mão de uma A Vida como ela é, uma memória ou confissão do autor, para que por meio ao sabor das palavras eu encontre de novo o rumo e o prumo.
Roland Barthes dizia " O texto que o senhor escreve tem que me dar provas de que ele me deseja". E como eu me sinto desejada, infinitamente desejada pelo texto rodrigueano. Como suas palavras roçam em mim e penetram com força minha sensibilidade.
Ao autor que me fez a leitora que eu sou dedico essa página.
Nelson Rodrigues pra mim é um dos maiores artistas do cotidiano. Quando estou triste, melancolica, com um tédio efusivo, basta que eu lance mão de uma A Vida como ela é, uma memória ou confissão do autor, para que por meio ao sabor das palavras eu encontre de novo o rumo e o prumo.
Roland Barthes dizia " O texto que o senhor escreve tem que me dar provas de que ele me deseja". E como eu me sinto desejada, infinitamente desejada pelo texto rodrigueano. Como suas palavras roçam em mim e penetram com força minha sensibilidade.
Ao autor que me fez a leitora que eu sou dedico essa página.
Nelson Rodrigues
" E foi aí que eu vi, ou melhor dizendo, ouvi uma história que me feriu tão fundo. Na redação, estava o Valdemar, no meio de um grupo, falando do caricaturista sem talento. A princípio ninguém entendera o suicídio. Dizia-se -"Um homem cheio de mulheres". E de fato, antes de ficar noivo, o caricaturista parecia ter uma amante em cada esquina. O Valdemar, confidente do morto, explicava tudo.
Simplesmente o caricaturista estava amando. Amando de verdade e amando para sempre. Ele desabafava com o Waldemar: -"Pela primeira vez, amo". Pediu a mão da menina e deixava o tempo passar, como se a solução fosse um noivado eterno. O futuro sogro começou a fazer pressão. E, um dia, o caricaturista agarra o Valdemar, que, por sinal, era também investigador. Disse:- "Quando amo, não desejo. Até hoje, não dei um beijo na boca da pequena". Ele não entendia que alguém pode desejar o ser amado. Pensava, por outras palavras: - "Todo desejo é vil". Agarrou o investigador pelos dois braços e o sacudia: -"Desejo qualquer vagabunda, menos a minha noiva".
QUER LER MAIS? A MENINA SEM ESTRELA, AS MEMÓRIAS DO NELSON RODRIGUES
Simplesmente o caricaturista estava amando. Amando de verdade e amando para sempre. Ele desabafava com o Waldemar: -"Pela primeira vez, amo". Pediu a mão da menina e deixava o tempo passar, como se a solução fosse um noivado eterno. O futuro sogro começou a fazer pressão. E, um dia, o caricaturista agarra o Valdemar, que, por sinal, era também investigador. Disse:- "Quando amo, não desejo. Até hoje, não dei um beijo na boca da pequena". Ele não entendia que alguém pode desejar o ser amado. Pensava, por outras palavras: - "Todo desejo é vil". Agarrou o investigador pelos dois braços e o sacudia: -"Desejo qualquer vagabunda, menos a minha noiva".
QUER LER MAIS? A MENINA SEM ESTRELA, AS MEMÓRIAS DO NELSON RODRIGUES
Praia
Devo dizer que adoro praia...
...acho que por causa do mar...
... o mar simplesmente é, ele se impõe numa força misteriosa...
... ahh o mar... a praia...
costumo dizer que a praia me toma o tempo todo, por isso na maioria das vezes a evito...
... mas é mentira...
... desculpa pra um porquê mais sério...
... a praia desenvolve e triplica sentimentos em mim...
... tona-se propulsora de saudades reconditas, esperanças escondidas, sonhos distantes....
... a praia me sensibiliza e me toma...
... por isso a evito vez por outra
Tá explicado, minha amiga Renata?
...acho que por causa do mar...
... o mar simplesmente é, ele se impõe numa força misteriosa...
... ahh o mar... a praia...
costumo dizer que a praia me toma o tempo todo, por isso na maioria das vezes a evito...
... mas é mentira...
... desculpa pra um porquê mais sério...
... a praia desenvolve e triplica sentimentos em mim...
... tona-se propulsora de saudades reconditas, esperanças escondidas, sonhos distantes....
... a praia me sensibiliza e me toma...
... por isso a evito vez por outra
Tá explicado, minha amiga Renata?
Confissões
Como diria Liv Ullmann, sou uma menina que se recusa a crescer...
... e foi lembrando disso que resolvir aderir ao antigo passado, quando escrevia diariamente em um caderninho verde, capa dura, pleno de recordações, sabores e dissabores adolescentes.
Vejo ainda que a menina escritora dos tempos idos, cheia de sonhos e idéias flutuantes, grita em mim como uma louca.
Percebo nesse pós Natal que serei uma eterna menina, uma menina eterna que se emociona com uma flor, um sorriso de criança e uma demonstração de afeto ou desafeto. Porcaria de sensibilidade que vem nas horas mais inexatas e extermina quaisquer condição de apego a razão.
Tento explicar de mim para mim que, o problema é a conjuntura astrologica, nascer com o sol em Peixes e o ascendente em Escorpião deve ter complicado as coisas. O pisciano é sensibildiade pura e o escorpião dotado da capacidade de uma paixão obcecada e firme.
Não, a culpa não é da astrologia... é minha mesmo. é a porcaria da artista em mim que me ferra.
Ahhhhh se eu fosse só Cientista Social, se me acostumasse somente em discutir os meandros sociais, as trocas culturais. Mas não, a Cientista Social que há em mim foi dando espaço pra artista, pra atriz, pra diretora teatral. pra produtora cultural. E a Luciane-artista toma conta lentamente de tudo o que é vazio, aumentando o sensível, despertando lágrimas de alegria e mágoa, extrapolando sorrisos e olhares.
As vezes peço a Cientista Social que retorne, e ela retorna com um quê de sabedoria impensada, mostrando-me que, sensibilidade demais destrói relações e principalmente não me mostra o que é o mundo.
O mundo é horrível, ela me diz! Os seres humanos em sua maioria não pensam no outro, só em si mesmo e em suas vaidades!
Com a Cientista Social sou mais forte, consigo sair das situações desonestas e desleais com mais galhardia. Com a artista sou mais fraca, porém mais bela, mais menina, mais esperança, mais inspiração.
Em 2008 vou estruturar meu albergue pessoal e montar uma linda ceia de início de ano, pra essas duas habitantes falantes. Elas ficaram de se ajudar mutamente e insistem em me dizer que as mudanças na minha vida, as mudanças beneficas que ocorreram em 2007 pra mim, jogando tudo o que é ruim e falso fora, se deveu ao convívio festivo das duas e ao esforço de guerra que implementaram dentro de mim.
Essas postagens, que não prometo ser diária, é pura e exclusiva aceitação da reivindicação dos amigos, que de tanto trabalho(graças a Deus) quase não me veem ou falam comigo mais.
Bom... a menina "escritora" cansou...
... e foi lembrando disso que resolvir aderir ao antigo passado, quando escrevia diariamente em um caderninho verde, capa dura, pleno de recordações, sabores e dissabores adolescentes.
Vejo ainda que a menina escritora dos tempos idos, cheia de sonhos e idéias flutuantes, grita em mim como uma louca.
Percebo nesse pós Natal que serei uma eterna menina, uma menina eterna que se emociona com uma flor, um sorriso de criança e uma demonstração de afeto ou desafeto. Porcaria de sensibilidade que vem nas horas mais inexatas e extermina quaisquer condição de apego a razão.
Tento explicar de mim para mim que, o problema é a conjuntura astrologica, nascer com o sol em Peixes e o ascendente em Escorpião deve ter complicado as coisas. O pisciano é sensibildiade pura e o escorpião dotado da capacidade de uma paixão obcecada e firme.
Não, a culpa não é da astrologia... é minha mesmo. é a porcaria da artista em mim que me ferra.
Ahhhhh se eu fosse só Cientista Social, se me acostumasse somente em discutir os meandros sociais, as trocas culturais. Mas não, a Cientista Social que há em mim foi dando espaço pra artista, pra atriz, pra diretora teatral. pra produtora cultural. E a Luciane-artista toma conta lentamente de tudo o que é vazio, aumentando o sensível, despertando lágrimas de alegria e mágoa, extrapolando sorrisos e olhares.
As vezes peço a Cientista Social que retorne, e ela retorna com um quê de sabedoria impensada, mostrando-me que, sensibilidade demais destrói relações e principalmente não me mostra o que é o mundo.
O mundo é horrível, ela me diz! Os seres humanos em sua maioria não pensam no outro, só em si mesmo e em suas vaidades!
Com a Cientista Social sou mais forte, consigo sair das situações desonestas e desleais com mais galhardia. Com a artista sou mais fraca, porém mais bela, mais menina, mais esperança, mais inspiração.
Em 2008 vou estruturar meu albergue pessoal e montar uma linda ceia de início de ano, pra essas duas habitantes falantes. Elas ficaram de se ajudar mutamente e insistem em me dizer que as mudanças na minha vida, as mudanças beneficas que ocorreram em 2007 pra mim, jogando tudo o que é ruim e falso fora, se deveu ao convívio festivo das duas e ao esforço de guerra que implementaram dentro de mim.
Essas postagens, que não prometo ser diária, é pura e exclusiva aceitação da reivindicação dos amigos, que de tanto trabalho(graças a Deus) quase não me veem ou falam comigo mais.
Bom... a menina "escritora" cansou...
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