Conheci Nelson Rodrigues, ou melhor dizendo, sua obra aos doze anos. Realmente uma idade pouca para seus escritos. Com doze anos, ainda mais na minha época e no meu atraso ingenuo, entender o universo Rodrigueano foi meio complicado. Entretanto, apesar da pouca idade, eu bebia suas palavras com uma sede inexplicável, eu alterava aos poucos minha forma de leitura do mundo e minha maneira de perceber a arte.
Nelson Rodrigues pra mim é um dos maiores artistas do cotidiano. Quando estou triste, melancolica, com um tédio efusivo, basta que eu lance mão de uma A Vida como ela é, uma memória ou confissão do autor, para que por meio ao sabor das palavras eu encontre de novo o rumo e o prumo.
Roland Barthes dizia " O texto que o senhor escreve tem que me dar provas de que ele me deseja". E como eu me sinto desejada, infinitamente desejada pelo texto rodrigueano. Como suas palavras roçam em mim e penetram com força minha sensibilidade.
Ao autor que me fez a leitora que eu sou dedico essa página.
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