" E foi aí que eu vi, ou melhor dizendo, ouvi uma história que me feriu tão fundo. Na redação, estava o Valdemar, no meio de um grupo, falando do caricaturista sem talento. A princípio ninguém entendera o suicídio. Dizia-se -"Um homem cheio de mulheres". E de fato, antes de ficar noivo, o caricaturista parecia ter uma amante em cada esquina. O Valdemar, confidente do morto, explicava tudo.
Simplesmente o caricaturista estava amando. Amando de verdade e amando para sempre. Ele desabafava com o Waldemar: -"Pela primeira vez, amo". Pediu a mão da menina e deixava o tempo passar, como se a solução fosse um noivado eterno. O futuro sogro começou a fazer pressão. E, um dia, o caricaturista agarra o Valdemar, que, por sinal, era também investigador. Disse:- "Quando amo, não desejo. Até hoje, não dei um beijo na boca da pequena". Ele não entendia que alguém pode desejar o ser amado. Pensava, por outras palavras: - "Todo desejo é vil". Agarrou o investigador pelos dois braços e o sacudia: -"Desejo qualquer vagabunda, menos a minha noiva".
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